domingo, maio 23

Mais fácil do que bater de volta, é pedir desculpas no que erra. Se você não sabe, eu sei:
Desculpe querer seu colo, mesmo que aos pedaços. Desculpe te amar a ponto de só você me curar. Desculpe a dor pela sua ausência. Desculpe querer sustentar os juramentos de dedinhos. Desculpe achar que por mim você pararia o mundo e as suas próprias coisas. Desculpe, principalmente, não concordar com o que você chama de desumano. Desculpe, isso não se repetirá, meu bem.

domingo, abril 11

Em que lugar a gente se perde a ponto de não ver mais o monstro no espelho?

Como em um Lego, as peças vão se sobrepondo. Fazendo a torre crescer. Ela cuida para equilibrar, mas as mãos são fraquinhas. Ela não consegue firmar uma peça na outra. Falta força. A torre sobe meio torta. Qualquer vento vai balançar. Qualquer chuva, fazer cair. Mas a torre cresceu com as cores cuidadosamente colocadas uma ao lado da outra. De modo que, ao olhar de longe, dê a cada um uma vontade grande de fazer parte do conto-de-fadas. Tirar a cor seria parar a brincadeira. Se é para sonhar, que seja completo. Ela cuida da forma, cor, disposição e ordem de cada pedaço colocado. Quem vê de fora, não entende. Nem nunca entenderá...

Há monstros, bruxas, gnomos, príncipes e princesas em torno da sua história que só fechando os olhos para conseguir entender...

'nem sempre é so easy'

Há horas em que tudo vai mal. Ninguém te escuta e, se o faz, não entende. Te culpam por sofrer, querem arrancar as últimas migalhas que te restam. Te fazem sombra. Não que o mundo seja um arco-íris. Ele não é. Mas não precisa refletir o lado podre da sua pior parte. Os dias amanhecem, mas as coisas somam. Uma bela tarde de chuva de domingo te vomita certas palavras, que não foram digeridas, entendidas, engolidas. E não importa o quão forte você seja. Elas doem. Não importa o quão fraco você esteja, elas chegam. A vida bate forte, mas te rodeia de pessoas. O problema é que há barulho demais para que elas possam ouvir qualquer coisa. O pedido de socorro fala baixo e com fantasias e o caos não o faz ser compreendido. Não importa o tapa, o importante é seguir. É limpar a ferida, colocar um curativo, esperar fechar e torcer pra não ficar cicatriz. Depois disso, basta seguir.

domingo, março 14

Chamado

Chega com olhinhos espremidos por conta do sorriso largo, chega.

Som de S e P de pontada

Passa, passado.
Passarinho quer voar.
Posso, podes, podemos passar.
Passemos.
Passa, como tudo,
Passaria, passarão.
Passagem, passarela, passeando por aí.
Passa, tudo passa.
Até uva passa.
Só não passa o passado que persegue sem parar.

quarta-feira, fevereiro 10

Desculpe pelos excessos.

Eu te amo fundo e você reclama. Prefere que confundamos os nossos corpos, mas reclama se misturo as nossas vidas, as nossas coisas. Te incomoda os meus excessos de amor, o meu olhar e jeito de ser sua e te querer só pra mim. Desculpe. Me prometi, um dia, viver profundamente. Eu te mostrei quem sou e me dei pra você. Dei meus erros e acertos, mas mais do que tudo dei as minhas tentativas. Se dou um passo penso se era o que você gostaria. Se fico quieta, temo pecar por faltar. Não. Nunca mais essa dor pelo que não foi feito. Prefiro fazer, dar, doar, entregar. Mesmo que doa. Desculpe se ao aparecer pra ti te tirei espaços, pessoas. Entre os meus abraços sempre esteve um pedido de socorro e aceitação. Muita sede faz derramar a água. Desculpe se não fui aceita por todos que lhe rodeavam. Não me importo e nem espero por. Ser aceita por ti me basta. É meu jeito assim de amar, meio torto, muitos "muito", desencontrados. Só sei assim. Eu que sempre fui livre não importava o que ninguém falasse. Agora me vejo pensando e perguntando até onde eu posso ir por ti, pra ti? Você reclama como se houvesse um botão pra eu reinventar o silêncio do dito e pra passar uma borracha no que foi feito. Desculpe se te amo profundamente a ponto de desnudar e desconcertar. Eu não vou separar os meus erros dos meus acertos. Sou a soma deles. Muito menos separarei os seus. Me deixa sentir, me deixa falar. Desculpe se você nunca teve pedidos do tipo, não sei. Mas sei que você nunca teve alguém que te amou tanto quanto eu amo. Só quem se mostra totalmente se acha no amor, por mais que se perca certas horas. Eu sou assim: errante, suja, pequena, boba, intensa, exagerada. Mas cheia de amor. Sempre. Uma metade e a outra também. Amor pra ti.

quinta-feira, outubro 22

João.

Há muito pra fazer e há tanto pra brincar,
mas o tempo espera.
Dorme, meu amor, que é cedo ainda.
Há castelos, bolas e bonecos,
sim, a vida é doce.
Dorme, pequenino, dorme pra nos fazer sonhar.
Ja já, aprontaremos em qualquer faz-de-conta,
da vida ou dos palcos.
De tudo o que esperamos,
você foi mais:
a obra de arte mais linda já vista;
a luz mais colorida da estreia.
E esses olhos que trazem o azul do céu e mar,
recebem uma canção que te nina, João.
Nina pra te fazer sonhar
e sorrir enquanto dorme.
E te olhar assim,
tão grande e tão pequenino,
na nossa frente,
faz o bem que só a paz faz.

Bem vindo ao mundo.

domingo, outubro 18

o que fica depois do vendaval.

De tudo, fica a lição que é hora de quietude. Calar o peito faz o riso (os risos) voltar (voltarem). Se em coro ou não, só o tempo diz. Sei calar e quando o faço, é pra valer. De tudo, vejo que se temos boca pra falar é porque a comunicação funciona melhor do que quando com os dedos. Bem que me falaram para desconfiar dos e-mails... só Deus sabe por quais caminhos aquelas palavrinhas passam enquanto percorrem os fios: elas saem de um lugar com doçura e são recebidas com rispidez (não importa se é de Norte a Sul ou se é o oposto). E, ainda assim, elas não te dão o direito a teclar um delete e começar tudo de novo, a fazer diferente e falar de outra forma, cuidando do tom para que você consiga ser clara. De tudo, ficam as palavras a rondar a cabeça. Não as palavras tidas como esclarecedoras, mas aquelas colocadas como explicativas que, não tenho dúvidas, são as mais sinceras: "não é nada disso", "não quis dizer isso", "não, não, não", "eu pensei errado"... De tudo, ficam, agora, as cicatrizes, os silêncios e os desejos que tudo fique bem.


[De tudo, fica um sentimento, um aperto e um nó que tá cá na goela, que se nota como tal, mas que, simplesmente, não sai mais. Não por não querer, mas por não saber. Fica o nó de aperto e dor pelo carinho não dito, pela explicação mal colocada e pelo sentimento reprimido.]

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É uma pausa maior, que faz parar um pouquinho mais. Muitas vezes indica que é hora de mudar o tema, as palavras, o assunto. Mas, nem sempre, é um fim. E é aí que tá a sua forte delicadeza: no poder tamanho que um ponto tem. Gosto deles, ainda mais que das vírgulas. Não por terminar tudo, mas por carregar o maniqueísmo que só ele saberia.

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Ela nasce quando a mão dá uma escorregadinha no papel a fim de informar que ali é a hora de parar, respirar, refletir para, então seguir.
Gosto da danada da vírgula que consegue dar a velocidade adequada ao percurso mostrando que, do menor bilhete ao maior romance, é preciso
parar, respirar, refletir para, então, seguir.

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Falam muito do meu sorriso. Não sei se por ele ser constante ou aberto demais. Ele, de fato, é meio frouxo e expansivo. Mas falso, nunca. Sou, como todos, a soma de tudo que vivi e, após levantar dos tropeços e dores (que não foram poucas pros vinte e poucos que carrego), pude sentir o quão importante é sempre manter a mente quieta e o coração tranquilo. Falo, muitas vezes, com riso no rosto e cara lavada e é disso que gosto. Quando não, me fecho e me envolvo no meu mundo branco e preto - o que quebra a imagem que muitos constroem de mim e faz com que me vejam como expansiva, abertinha, fútil e superficial -. Intensidade talvez seja o meu mal. Eu rio e choro demais por muito pouco. E eu gosto. A indiferença passa longe, o que às vezes faz doer mais do que o necessário. Nunca aprendi a ligar o "foda-se". E nem quero. Penso eu, com meus poucos vinte, que carregar no corpo as marcas do caminho (com os risos e lágrimas, com as luzes e sombras, com o bom e o ruim) faz com que você melhore. Isso só não pode pesar. Eu não consigo deixar que nada passe despercebido e sei que passo despercebida por muita coisa. Mas, também, consigo que pouquíssima coisa me tire a leveza do vento que me conduz. E ser assim, um pouco desprendida de qualquer manual de instrução e sentindo mais o frio na barriga do que muitos, me faz entrar em um contexto de construção e desconstrução contínua para muitos. Pois sei que muitas vezes faço algo que faz parecer uma coisa, mas que foi outra. Eu não faço questão de provar quem sou e muito menos que preciso provar nada pra ninguém, mas o riso cala quando não deveria só por andar de mãos dadas com um coração que sente demais.

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Ao contrário de Clarice, não estou cansada, só estou triste. É um aperto que vem do sufoco de se saber incompreendida ou da terrível frustração que sinto comigo mesma sempre que erro. Não lido bem com o pensamento que eu não me fiz entender. O resultado é esse: eu olhar pro espelho e enxergar o peito espremer até chegar uma hora e um dado instante em que não dá mais pra saber o que é. Eu e meus por quês a me inquietar. Eu sei que não adianta buscar respostas, pois elas virão na hora certa. E, no fundo no fundo, eu sei que não é nada.

(talvez isso piore tudo: o nada a incomodar. por nada)

sexta-feira, outubro 16

gosto dos escritos do cfa.

"E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça - que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca - levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário...por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."


(Caio F. Abreu)

quinta-feira, outubro 15

mulherzinha.

Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme.

Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você faz isso ou aquilo. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão, do seu cabelão e da falta dele. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você... Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza.

Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com ninguém, homem, mulher, velho, novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba alternativa que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos. É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade


(fernanda young)

como serva.

Sabe aquela bagunça do teu quarto?
Eu resolvo, se você quiser.
Posso passar tuas blusas e vestidos
e organizar cada um deles no teu armário apertado.
Separo as roupas alegres de verão
daquelas que devem ser usadas no frio inverno.
Amarro o teu sapato, não quero te ver tropeçar.
Te quero exalando perfume por aí.
Vou comprar um guarda-chuva novo pra você não se molhar se chover e o carro quebrar.
Na hora de dormir, posso te aquecer com o meu cobertor.
Ou fazer do meu corpo uma manta aquecida.
Assim, você pode sentir o calor que sinto ao lado teu.
Na primavera eu quero te dar flores coloridas e perfumadas.
No outono, varrer a nossa casa. Tirando as folhas secas.
Na casa limpa, botarei almofadas no chão da varanda
E te levarei comidinhas pra depois do amor.
Deitarei ao teu lado para olharmos as estrelas.
Os meus olhos querem refletir os teus desejos.
E, quando for hora de calar, farei.
Sofrendo, darei tchau quando formos pro trabalho.
Não me envergonharei de implorar o seu amor.
Como esmola.
Guardo as fotografias.
Quero as poesias, as estações, as flores, os vestidos.


quarta-feira, outubro 14

brinde.

Pra que namorar com a dor se você pode beber a taça até o fim? Sai da casca leve, leve, leve. Sai e gira por aí livre de todo esse rancor. Brinda e bebe. Ei, você, voa por ai e vai ser feliz. Vai.

alma é música.

Toda alma é uma música que se toca. Eu quero ser violonista, mas talvez eu fracasse por não tentar. Enquanto isso, posso fazer música com as palavras. Aquele que agora lê, se sentir um movimento na alma, se houver algo que reverbere, é porque aquilo nos fez iguais. Quando isso acontece, eu sei que não estou só. É gostoso dançar acompanhada.

resposta.

Se fosse agradável aos ouvidos que me rodeiam, eu cantaria minhas alegrias e tristeza. Como não o é, eu escrevo. Escrevo aqui, plagiando uma querida, "minhas alegrias e outros sentimentos menos nobres". A tristeza é uma fiel companheira daqueles que gostam de registrar as palavras.

(Mas não tenha dó, não pense que sou ou estou rodeada de dor.
Pode ser tudo inventado ou copiado do sentimento de alguém.
Eu posso falar de tristeza enquanto o peito pula de alegria.)

Escrever algo é eternizar o que se sente. Uns fazem isso para mostrar ao mundo o que se passa no interior e outros, para relerem um tempo depois e sentir novamente tudo o que havia nas entrelinhas. Escrever e publicar é fazer com que algo fique gravado em pedras. A palavra lançada não volta e isso me atrái. Gosto da idéia de eternizar o que sinto ou penso. Talvez assim o constante medo de perder o que foi vivido diminua.

O meu blog é vazio. Eu divido as visitas com alguns fantasmas que aumentam a contagem, mas que nunca se pronunciam. E ainda assim é gostoso de escrever, registrar, ensaiar, falar balela, mandar recado, responder, dar direta, indireta, se declarar e pontuar as atitudes e sentimentos no meio de palavras soltas.

Houve vírgulas no caminho. Muitas até. Houve um tantinho de exclamações e interrogações. Sou transparente e nua, tudo que sinto, sou e quero registro para ser lido, para que saibam. É como a tatuagem que tenho, o fiz para registrar visualmente algo que se passa dentro, no meio e em baixo. Para se fazer ver o que os olhos não conseguem. Escrevo mal, feio e sem ordem não pra cansar você, meu leitor paciente, mas por não fazer questão de bancar a ordenada mentalmente. Não faço questão de cuidar de colocar o que não sou para que enxerguem uma Carol que não é essa. Escrevo "para que te lembres quando eu me for". Escrevo, registro e talvez o vento leve essas palavras por aí, pra qualquer um.

Eu queria ter o dom de fazer Haicais.

não está no Aurélio

Hoje, na Yoga, pensei que a aula fora preparada pra mim. Por um segundo, me senti nua, como se a professora tivesse invadido a minha mente. Ela falou sobre YAMAS e alguns significados. Eu pensava muito neles sem saber que na linguagem 'yoguenta' (termo que acostumei a usar) eles se chamavam assim. Desejo o mesmo pra você :)

1) Ahimsa: respeite a sua natureza, sentimentos e pensamentos. faça por onde irradiar a paz interna e na vida dos outros.

2) Satya: a busca contínua pela verdade que o seu corpo dita e não aquela que se compra por ai.

3) Asteya: reconheça o que é seu, manifeste e se alegre nisso.

4) Brahmacharya: respeite a energia que lhe cabe e lhe é enviada. condicione o que envia para o bem comum.

5) Aparigraha: não importa o que os outros dizem, pensam ou fazem. o fundamental mesmo é seguir o próprio caminho sempre se preocupando em ser luz para os outros.


é, sempre se preocupando em ser luz para os outros.

terça-feira, outubro 13

sobre portas e amigos.

Ontem a Camila riu de mim quando falei da melhor amiga da academia e do Fisk. Ela achou o termo engraçado e eu ri junto. Depois eu e Camila nos falamos sobre portas e amigos: Virar amiga dos amigos dos seus é um processo rápido e natural. Você já chega de porta aberta sendo convidado pra entrar. Outro dia, Camila me apresentou à Rafaella. Antes, claro, ela já havia relatado várias histórias das duas, o que fez crescer a vontade. Quando demos os dois beijinhos da apresentação já nos queríamos. Pois a Rafa compra as escolhas da Camila como se fossem dela. E eu também. Assim foi com a Elda, que quando esteve com a Camila soltou um "finalmente!" - como quem esperava isso havia muito -. Amigos quando são amigos compram os amigos e as escolhas dos outros. Assim eu penso. Ou, se você não concorda, você solta um "gostei não" limpo e claro.
Depois eu falei pra Camila que quando coloco o termo "melhor amigo" acompanhado por um lugar ou uma época, significa que, por falta de caminhos em comum, ele não chega a ser o amigo que você carrega pra vida e que abre a geladeira da sua casa. Desses eu tenho 9, que são pessoas que após entrarem na sua vida, você fecha a porta para que elas não saiam mais. Não. Eu falo de algumas pessoas com as quais me encontrei em mesas de bar, em salas de aula ou por ai, nos elevadores da vida. São pessoas que o contato é quase nada e a saudade pelo que não foi vivido é constante. São pessoas "legais quiçó" e que eu gostaria de compartilhar com Camila. São pessoas que não vieram pra ficar porque talvez essa permanência as tornaria menos especiais ou quebrasse um pouco a gostosura do momento. Eu queria que Camila conhecesse Bruno, meu melhor amigo de internet que fala com a calma dos amantes artistas e me entende tão bem sem nunca ter me visto. Queria que Camila visse o respeito de Bruno e o tivesse por perto pra papo furado. Queria ainda que Camila conhecesse mais de Elis, minha melhor amiga do grupo dos professores queridos. Camila ia gostar da inteligência de Elis e elas iam falar sobre filmes e teorias. Elas iam se entender também porque as duas são iguais, ou seja, diferentes do que se vê por aí. Inteligentes como elas só. Queria ainda que Camila conhecesse Lua, a dona dos escritos que relatei pra ela esses dias. Lua é minha melhor amiga da UNIFOR, junto com Elda que já conhece Camila. Lua é tão doce e linda que só vendo. Queria, por fim, que Camila tivesse as horas gostosas da vida sem pressa ao lado de Mari, minha melhor amiga da Fa7 que é tão engraçada, correta e sábia. Quero que Camila traga os queridos dela e eu quero trazer os meus, pra cada vez mais a mesa do bar ficar frequentada não pelos dela ou pelos meus, mas pelos nossos. E vamos que vamos com melhores amigos da vida ou dos instantes que se quer guardar num baú pra nunca esquecer. Mas a porta tá aberta para os novos de Camila e de todos os escolhidos dos queridos meus. É preciso apenas que eles queiram entrar.